Ter um rendimento variável não é um obstáculo para um crédito — é apenas uma situação que exige um dossier melhor preparado. Aqui vai o método.
1. Documentar dois anos de atividade
Um analista quer visibilidade. Um mês exceptional não diz nada; dois anos de atividade dizem muito. Reúna:
- As duas últimas declarações anuais de IRS (com anexos B ou C conforme o caso);
- Os recibos verdes ou faturas emitidas dos últimos 24 meses (uma compilação mensal chega);
- Os extratos bancários dos últimos 12 meses da conta profissional;
- Se possível, os balanços contabilísticos (para atividades organizadas).
2. Calcular um rendimento médio pertinente
Não apresente a média simples dos 12 últimos meses. Prefira duas indicações complementares:
- Uma média dos 24 últimos meses, que alisa as sazonalidades;
- Uma média dos 6 melhores meses e dos 6 piores meses, que dá a amplitude realista.
Esta apresentação transmite duas mensagens ao analista: conhece bem a sua atividade, e não esconde a variabilidade. As duas são valorizadas.
3. Explicar a natureza da variabilidade
Uma variabilidade sazonal (turismo, agricultura) diz-se e explica-se num parágrafo. Uma variabilidade ligada à natureza contratual (missões de várias semanas, projetos ponctuais) também. Uma variabilidade « erro de gestão » é mais difícil de defender — se é o seu caso, seja honesto e explique as medidas tomadas.
4. Propor uma prestação prudente
A regra dos 33% baseia-se num rendimento estável. Para um rendimento variável, o critério prudente é calcular a taxa de esforço sobre o rendimento médio dos meses mais fracos, não sobre a média global. Se o crédito passa este teste, é seguro.
Um bom sinal
Se, ao ler estes conselhos, se lembra de que já pratica a maior parte, é sinal de que gere a sua atividade com rigor. Um dossier bem preparado é lido com atenção — e um credor sério compreende que um trabalhador independente rigoroso vale bem um assalariado com contrato sem termo.