Antes de assinar seja o que for, três perguntas devem receber uma resposta clara. Não são perguntas técnicas. São perguntas honestas, que só o próprio consegue responder.
1. Este crédito responde a uma necessidade ou a um desejo passageiro?
A pergunta parece brutal. Não é. Um crédito não é neutro: transforma o seu orçamento durante meses, às vezes anos. Se a necessidade é sólida — substituir uma caldeira em pleno inverno, financiar uma formação profissional, fazer face a uma emergência médica — a resposta é evidente. Se a necessidade é um desejo que se instalou há duas semanas, dê-se três meses. Se em três meses a envidade continuar de pé, o pedido é legítimo.
2. A prestação cabe verdadeiramente no meu orçamento?
A regra geral é simples: a soma das suas prestações mensais (crédito imobiliário incluído) não deve ultrapassar um terço dos seus rendimentos líquidos. É a chamada regra dos 33%.
Mas atenção: caber « no papel » não significa caber « na vida real ». Um orçamento é sempre feito de imprevistos. Se a prestação absorve toda a sua margem, uma reparação de carro ou uma despesa escolar pode fazer o edifício ruir.
3. Comparei realmente as ofertas?
Um crédito não se avalia pela taxa anunciada. Compara-se pelo MTIC — Montante Total Imputado ao Consumidor. É a soma de tudo o que vai pagar: capital, juros, comissões, seguros.
Peça sempre uma proposta escrita antes de qualquer decisão. Uma proposta séria comunica o MTIC de forma clara. Se não vir esta sigla no documento, insista. Se ainda assim não a receber, mude de interlocutor.
Para terminar
Estas três perguntas não substituem o conselho de um profissional, mas evitam a maior parte dos arrependimentos. Um crédito bem pensado torna-se um instrumento. Um crédito mal pensado torna-se um peso.